SINÔNIMOS DE BRASIL...FUTEBOL...SAMBA...E CAIPIRINHA!
por Paulo Avelino Jacovos
"Quando o Brasil criar juízo e se tornar uma potência mundial,será a Cahaça, e não o Whisky, a bebida do Planeta."
SOBRAL PINTO / Jurista Brasileiro
As palavras do saudoso e apaixonado Jurista Sobral Pinto... Há muito tempo escritas... Estão muito próximas de tornarem-se realidade.
Quando vejo a maturidade política, econômica, social e a Brasilidade por que passa o nosso país desde que restabelecemos a democracia no final da década de 70, e que vem se acentuado rapidamente ainda mais no início deste século, concluo que o grande Jurista... Esteja onde estiver deve estar lembrando-se de sua celebre frase.
Limão, açúcar, gelo, Cachaça... Limão, açúcar, gelo, Vodka...Limão, açúcar, gelo, Rum...Caipirinha... Caipiroska... Caipiríssima??? Hoje em dia temos três tipos. Mas, qual a melhor opção ?? Enquanto alguns discutem outros bebem.... Todas.
Bebida de corpo e alma brasileiros e ultimamente cada vez mais com carregado sotaque estrangeiro, “Caipiriiinha”... Está cada vez mais se tornando a mais genuína bebida brasileira internacionalmente conhecida... E quem diria que até bem pouco tempo atrás era considerada como sendo de segunda classe em nosso país, devido ao seu principal ingrediente... ”A Cachaça” ser uma bebida muito popular.
Depois de muitos anos da invasão dos Whiskies Escoceses... Das Vodkas Russas...dos Runs Cubanos... Nossa Cachaça, Pinga, Aguardente, Malvada, Amansa Corno, Água que passarinho não bebe, Esquenta-corpo, Maria-branca, Suor-de-alambique, Arrebenta-peito, Mel, Mé, Goró, Cana, Loirinha etc. ... Etc. ... Etc. ... Está se tornando cada vez mais popular entre todas as camadas sociais. Todos pedem sua preferência nacional nos mais diversos tipos de bares e restaurantes... Dos mais simples aos mais sofisticados... E sentem-se orgulhosos em não mais precisar sussurrar aos Barmens, com medo de serem rotulados como não tendo classe, pedindo ao invés das bebidas importadas... A brasileiríssima Caipirinha em bares e restaurantes chiques.
- Uma Caipirinha, por favor!
- De Cachaça??
- Of Course!
Nossos bares também fizeram sua parte destacando-a cada vez mais em suas prateleiras, exibindo das marcas mais populares até seus melhores exemplares... E que por vezes chegam a custar muito mais que doses de bebidas finas importadas... Fazendo questão de colocá-las em lugar de honra em seus cardápios... À bebida com cara Rústica.. Mística...Quente...Inebriante e carregada de Sabor, Festa e Alegria tipicamente Brasileiras... “CAIPIRINHA”.
Mas, ao contrário do que imaginamos seu principal ingrediente, a “Aguardente” não é nossa primeira bebida aqui fabricada, nem tão pouco foi criado por nós, pois já se produzia Aguardente de cana nas ilhas Portuguesas.
Quando a Europa rumava para uma nova fase histórica, o “Renascimento”, com a ascensão do comércio. Entre outras atividades, este comércio era feito por vias marítimas, pois os senhores feudais cobravam altos tributos pelos comboios que passavam pelas suas terras ou, simplesmente incentivavam o saque de mercadorias. Portugal, por sua posição geográfica, era passagem obrigatória para as naus carregadas de mercadorias. Isso estimulou a introdução da cana-de-açúcar na Ilha da Madeira (Portugal), que foi o laboratório para a cultura de cana e de produção de açúcar que mais tarde se expandiria com a descoberta da América por Cristóvão Colombo. O próprio Cristóvão Colombo, genro de um grande produtor de açúcar na Ilha Madeira, introduziu o plantio da cana na América, em sua segunda viagem ao novo continente em 1493, onde hoje é a República Dominicana. Quando os espanhóis descobriram o ouro e a prata das civilizações Asteca e Inca, no início do século XVI, o cultivo da cana e a produção de açúcar foram quase que totalmente esquecidos.
Oficialmente, foi Martim Affonso de Souza que em 1532 trouxe a primeira muda de cana ao Brasil e iniciou seu cultivo na Capitania de São Vicente. Lá, ele próprio construiu o primeiro engenho de açúcar. Mas foi no Nordeste, principalmente nas Capitanias de Pernambuco e da Bahia, que os engenhos de açúcar se multiplicaram.
Como conseqüência, a produção de açúcar tornou-se um dos principais produtos de exportação da colônia Portuguesa. Inicialmente, a “Cachaça” era a espuma da caldeira em que se purificava o caldo de cana a fogo lento e que servia apenas como alimento para bestas, cabras, ovelhas. Assim, pôr algum tempo foi considerado um produto secundário da indústria açucareira; sendo mais uma garapa e não tendo nenhum teor alcoólico. Somente depois da metade do século XVI é que a Cachaça passou a ser produzida em alambique de barro, posteriormente de cobre, sob a forma e nome de Cachaça.
Com o passar do tempo à produção da Cachaça foi aumentando e sua qualidade sendo aprimorada. Nos engenhos do nordeste era costume dar Cachaça aos escravos na primeira refeição do dia, a fim de que pudessem suportar melhor o trabalho árduo dos canaviais.
Com o aumento da produção açucareira, espalhando engenhos de cana-de-açúcar pelo Nordeste e o aumento da importação de mão-de-obra escrava para lavoura, acabou-se também por aumentar a produção de Aguardente, sendo que acabou ganhando diferentes nomes nas diversas regiões do Brasil.
Amaldiçoada e desprezada pelos ricos, acabou tornando-se por muito tempo apenas uma bebida popular consumida pelas classes mais baixas.
Com o passar do tempo e o aprimoramento de sua produção acabou atraindo novos consumidores e passou a ter importância econômica para o Brasil colônia. Tal fato tornou-se uma ameaça aos interesses portugueses, pois a Bagaceira bebida típica de Portugal e feita a base de restos de vinificação passou a ser menos consumida. Enquanto a Cachaça saiu das senzalas e se introduziu não só na mesa de Senhores de Engenho, mas também nas casas de ricos Portugueses radicados no Brasil.
Diante desta realidade, a venda da Cachaça chegou a ser proibida na Bahia em 1635, sendo que em 1639 deu-se a primeira tentativa de impedir até o seu fabrico. Ao tempo da transmigração da corte portuguesa em 1808 para o Rio de Janeiro, a Cachaça já era considerada como um dos principais produtos da economia brasileira. Em 1819 já se podia dizer que a Cachaça era a aguardente do país.
Mas, quando é que nome de Caipirinha teria sido usado pela primeira vez para rotular este cocktail????
Caipira era o termo usado pelos Paulistas que designava o "Habitante do Campo" e que segundo o Dicionário de Vocábulos Brasileiros de 1889 aparentemente teria originado do Tupi, "Caipora" ou "Curupira". Caipora em uma tradução literal do Tupi significa "Habitante do Mato". “Curupira” é um ente fantástico da mitologia popular brasileira, um demônio que vagueia errante pelo mato com os pés voltados para trás. A Cachaça misturada a alho e limão macerados e adocicado com mel silvestre era tido popularmente como um “Santo Remédio” na cura de resfriados.
Talvez aqueles que abusavam deste “Santo Remédio” acabavam vendo, valorizados pela mitologia nacional "Curupirinhas" à sua volta, e tivesse surgido daí o nome da bebida “Caipirinha”. “A bebida passou de remédio para cocktail, quando trocou o mel pelo açúcar, retirou-se o alho da mistura e manteve-se o limão macerado, a Cachaça”, além de acrescentar o gelo.
Bebida de sabor ácido, aroma cítrico e paladar agradável, dando água na boca, a Caipirinha entrou em 1997 para o seletíssimo grupo de Cocktails da I.B.A (International Bartender’s Association), sendo assim divulgada em mais de 50 países e oferecida nos principais cardápios de bares e restaurantes mais famosos do planeta, pelos maiores Mestres da Arte da Coquetelaria. Este foi mais um grande empurrão para que em breve creia eu, possa tornar-se um dos cocktails mais apreciados e conhecidos mundo afora.
Bebida versátil e dependendo da maneira como preparada, podendo ser consumida a toda hora como Aperitivo (mais acida com maior quantidade de Cachaça e limão e menos açúcar), Refrescante (com menor volume de Cachaça e maior de açúcar, limão e gelo) ou até mesmo como um ótimo Digestivo (mais Cachaça, açúcar e menos limão) está se tornando um hit entre todas as camadas sociais.. Homens e Mulheres...Jovens e Velhos... Sendo que ultimamente tem sido feita nas mais diversas variações de frutas tropicais ou exóticas... Tendo como pano de fundos milhões em investimentos e melhorias nos seus processos de fabricação industrial... Isto além de ser divulgada nos principais meios de comunicação como jornais, revistas, televisão, sendo realizadas campanhas publicitárias milionárias comandadas pelas maiores agências de publicidade, sempre realizadas por grandes publicitários... Isto tudo sem jamais perder seu sotaque, simplicidade,alma e suas origens popularmente Brasileiríssimas.
CAIPIRINHA... ETA TREM BÃO SÔ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Paulo Avelino Jacovos é Barman, Campeão Brasileiro e Paranaense de Coquetelaria, Membro da International Bartenders Association e Gerente Geral do Hotel Bristol Castelmar de Florianópolis.
pjacovos@yahoo.com.br
www.portaldoscoqueteis.com.br
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